TRABALHO EM EQUIPE – Conjugar o verbo não basta!

Sem sombra de dúvidas, um dos gargalos empresariais é a produtividade da equipe!

Uma equipe eficiente, além de rentabilizar resultados favoráveis, trás valores indiretos que, consequentemente, agregam força ao empreendimento, valor à marca, excelência de atendimento e benefícios interpessoais que refletem, objetivamente, em todo o sistema corporativo.

De outro lado, uma equipe deficitária – se é que podemos chamar uma equipe deficitária de equipe – trás consigo, além de graves prejuízos financeiros à empresa, uma desestruturação do espírito corporativo e a destruição do necessário e benéfico clima organizacional.

Por conta disso, as empresas, além de focar nas inovações tecnológicas, têm buscado, a todo momento e de forma sistêmica, criar mecanismos e processos de conscientização de seus funcionários, de que o trabalho em equipe é essencial para que os resultados e objetivos sejam alcançados.

Isso não só para que os retornos econômico-financeiros sejam atingidos, mas para que todos possam ter o prazer de se sentirem membros importantes, identificarem-se com a marca e com os relevantes projetos traçados ao empreendimento, durante a execução dos trabalhos pela empresa.

Mas o que vem a ser o chamado “Trabalho em Equipe”, ou para alguns que gostam de internacionalizar as expressões, team work!

Bem, de maneira muito simplista, é substituir as individualidades de um grupo pelo esforço conjunto de todos que buscam um mesmo objetivo, ou seja, substituir o “eu” por “nós” em toda a cadeia produtiva.

Neste sentir, teríamos que o conjunto da obra concluída é o mais importante e que os esforços de cada um de seus membros seria o meio pelo qual se alcançaria o resultado eficiente!

Mas simplesmente modificar a conjugação dos verbos – da primeira pessoa do singular, para a primeira pessoa do plural – não basta!

O trabalho em equipe é muito mais do que um simples mecanismo ou procedimento de execução das tarefas individuais, almejando-se o todo.

Ultrapassa a questão meramente administrativa de divisão eficiente das tarefas e a somatória dos resultados individuais ou setoriais, para alcançar um objetivo comum.

Isto, por si só, não é o suficiente, vez que o que está em jogo não é só os resultados econômico-financeiros de uma empresa, mas a satisfação dos membros da equipe, a consolidação do sentimento de valorização da função de cada um, a conscientização de que cada função e, por mais simples que possa parecer, é vital para a grande obra, ou seja, o trabalho em equipe só conseguirá realmente ser atingido se cada um dos membros conseguir atingir seus objetivos pessoais.

Parece uma grande contradição!!! Mas a verdade é que as empresas precisam compreender que seus resultados econômico-financeiros, muitas vezes, são menos importantes do que a manutenção de uma valiosa equipe de trabalho.

Necessário compreender que, para que haja trabalho em equipe, necessariamente, deve haver pessoas comprometidas para com o resultado e que consigam acreditar que a empresa não valoriza somente os resultados finais, mas os esforços de cada um e de todos, segundo suas especialidades e individualidades.

Os funcionários que não conseguem acreditar que a empresa realmente lhes valoriza e acredita em sua capacidade nunca conseguirão atingir o ápice de sua produtividade e, muito menos, serão aquelas engrenagens perfeitas que farão o trabalho em equipe fluir perfeitamente.

Ou seja, para que se consiga, realmente, atingir um trabalho em equipe eficiente, necessariamente, haverá que se compreender os mecanismos de valorização individual de cada membro, ou setor, de forma com que – além dos resultados almejados – sejam alcançados os benefícios pessoais e interpessoais, o sentimento de que seu trabalho é reconhecido e valorizado.

Não duvide que mesmo o resultado econômico-financeiro tendo sido atingido, através dos esforços de todos os membros da equipe durante a execução das tarefas, por si só, poderá deixar – o que muitas vezes acontece – marcas, sequelas, rachaduras, cicatrizes em cada um de seus membros, entre eles ou entre os setores de produção, causando grave desgaste no espírito de unidade da equipe e no espírito de corporação.

O que parece ser “trabalho em equipe” – por não se aprofundar nas individualidades e na valorização e reconhecimento de cada parte do todo – brevemente poder-se-á esmorecer em apenas números finalísticos de resultado empresarial – sem qualquer comprometimento real e pessoal de seus funcionários, sem haver se concretizado a satisfação pessoal e interpessoal com o objetivo alcançado – causando a perda, total, da identificação profissional com a empresa.

Softwares, hardwares, boa estrutura, consultorias, bons equipamentos. Tudo isso é importante como mero mecanismo eficaz de agilização e fomento dos processos produtivos, porém, por si só, nenhum deles gerará resultado útil caso não haja, no comando, pessoas!!! As máquinas, por mais modernas que seja, por enquanto, não substituem, em sua plenitude, os seres humanos.

Seres que possuem sentimentos e, muitas vezes, sequer se apegam unicamente ao retorno financeiro do trabalho e preferem que seus superiores apenas reconheçam suas individualidades, seus potenciais, suas necessidades de serem valorizados como membros de um todo, considerando, assim, maior importância ao ganho social e pessoal.

Funcionários motivados são engajados nos projetos de suas empresas, não pelo retorno financeiro somente, mas porque acreditam na liderança que os comandam e sabem que numa equipe vencedora, onde cada um tem sua fatia de reconhecimento e valorização, o trabalho em equipe é a melhor e mais eficiente forma de trazer resultados, satisfação e valor ao conjunto.

Contudo, fechar os olhos para valorização e reconhecimento de cada membro ou setor, acreditando que trabalho em equipe é somente a somatória simplista dos trabalhos individualmente realizados para alcançar o objetivo almejado, é aumentar exponencialmente os riscos de que, brevemente, as coisas não darão certo.

Por esta razão, mais proficiente e produtivo é que o empresário atue, na gestão de seu negócio, não só pensando converter seus resultados em números frios, mas compreender que a exitosa somatória da execução das atividades laborais, para que seja positiva, realmente, deve perpassar pelo reconhecimento de que as pessoas envolvidas no processo produtivo tenham seu devido reconhecimento, causando identificação com a organização e engajamento com o sucesso.

Ou então, contrariamente a isto, a estória, muitos empresários conhecem!!! Funcionários insatisfeitos e desmotivados transformam-se em resultados e objetivos que não se concretizam, prejuízos que se avolumam, rotatividade dos quadros de trabalhadores, novos gastos com treinamentos, perda de tempo com capacitações, tudo isso, simplesmente, porque não se atentaram que não basta conjugar os verbos no plural!

Lucas Vieira Carvalho.

Advogado, sócio da Callil, Carvalho e Castro Advogados Associados S/C

Consultor Jurídico e Empresarial.

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