Dois mecanismos fundamentais para a sobrevida da empresa no mercado onde ela atua são a governança corporativa e o planejamento sucessório.
Governança corporativa porque tem o objetivo de promover a harmonia entre todas — e inúmeras — partes interessadas. E o planejamento sucessório por ser a chave que vai definir o sucesso da empresa na próxima geração.
No artigo de hoje, vamos falar sobre como esses dois atores contracenam no ambiente corporativo familiar e como isso envolve mais detalhes do que imaginamos inicialmente.
Governança corporativa: o que é?
A governança corporativa é uma forma de integrar diversos atores de um negócio: seus proprietários, o conselho de administração, a diretoria, os colaboradores internos, os externos e claro, seus clientes.
Muita gente envolvida, não é mesmo?
Essas figuras são chamadas de partes interessadas, ou seja, pessoas que de alguma forma se envolvem com o negócio e gravitam em torno dele.
No ambiente familiar, a diferença fica a cargo do laço afetivo.
Nesses casos, além do vínculo corporativo, que pode se expressar a partir de diversas frentes dessa matriz, há a possibilidade de alguns dividirem também o laço familiar.
Dentro desse contexto, uma pauta bastante comum é a sucessão, ou seja, a passagem do bastão.
Planejamento sucessório: quando e para quem?
A empresa familiar é assim chamada porque seus gestores, além de laços societários, partilham também laços familiares, o que pressupõe emoção e afeto em toda e qualquer tomada de decisão.
Por isso que o planejamento sucessório é um ato feito pelo atual dirigente em conjunto com outros profissionais e de preferência, alheios ao negócio, ou que dele não façam parte.
Isso porque será ela, a atual gestão, a responsável por escolher de forma estratégica os ocupantes de posições chaves da corporação, pressupondo um cenário de óbito ou aposentadoria do atual dirigente.
Além de ser pensada de forma planejada, essa ferramenta vai prevenir que a própria empresa seja pega de surpresa com uma transferência abrupta e desorganizada de gestão, o que pode impedir, também, que ela caia em uma má administração, ainda que temporária.
Por mais que se torne delicado em alguns momentos, é preciso que seja uma decisão racional e pautada em um arcabouço técnico, para que boas práticas nessa transição sejam implementadas.
Leia mais no nosso blog: Holding patrimonial ou familiar – planejamento fiscal, sucessório e societário.
Sucessão empresarial: além do negócio, família
A empresa ou a sua gestão é apenas um dos ativos do inventário que pode contar com outros bens, móveis e imóveis, mobiliários ou não, no seu conteúdo.
Quando a sua gestão é transferida, com ela segue todo o patrimônio até então aderido à sua estrutura, física, financeira, pessoal e jurídica.
Geralmente, a presidência é o cargo que será transferido para o ente com o vínculo familiar mais próximo ou para algum deles, caso exista mais de um, como no caso do fundador que tem três filhos capazes e que concorrem para o cargo atualmente exercido pelo pai.
Por isso que, o planejamento começa com a identificação dos cargos chaves e que estão em jogo. Pensar nos seus ocupantes de modo a preservar as relações familiares mas também a sobrevida da empresa pela próxima geração.
É um mapeamento que nasce muito antes do marco sucessório, ou seja, a partir de quando se começará o processo de sucessão e envolve técnicas jurídicas e corporativas que devem ser detalhadamente observadas.

Dra. Lucieuda Castro
Sócia/Diretora de Gestão Administrativo-Financeira



