A BlackRock, maior gestora de recursos e fundos do planeta, em sua tradicional carta anual, anunciou que o implemento de boas práticas de ESG será considerado um critério para escolha de novos investimentos.
Gerindo uma carteira de cerca de R$ 44 (quarenta e quatro) trilhões, um valor seis vezes maior que o PIB do Brasil, a BlackRock tem gabarito para falar e ser ouvida.
No artigo da semana, abordamos as boas práticas de ESG, o que elas significam e de que modo atuam na nova economia.
ESG: sustentabilidade, impacto social e conduta ética
Os três pilares da ESG, que vem do inglês ambiental, social e governança, vão falar sobre as boas práticas corporativas nessas áreas.
Tais práticas consistem em medidas sustentáveis, atentas às necessidades do meio ambiente na região onde atuam e também no mundo, mas não só.
A demanda é para olhares mais preocupados e práticos sobre o impacto social positivo da empresa e sobre uma postura corporativa ética para com os diversos stakeholders.
Para entender essa dinâmica, é necessário falar sobre a nova economia já que, embora não tenha sido criada agora, a ESG ganha visibilidade graças a plataformas onde a informação circula de forma mais célere, propiciando o seu debate.
O que é a nova economia?
Trata-se de uma economia mais ágil, digital e econômica, por mais redundante que isso possa parecer.
Mas, como isso acontece?
Para responder essa charada, basta pensar que no modelo tradicional de economia não tinha como falar, por exemplo, em gestão financeira a partir de aplicativos que estão no seu celular.
Transferências bancárias feitas em menos de um segundo também eram uma realidade fora do comum para o processo normal, hoje quebrado pela ‘nova economia’.
Toda essa gama de tecnologias estrategicamente alinhadas com a internet e ações de marketing amplificam informações e conteúdos que até então estavam fora do alcance da sociedade.
A informação rápida permite o seu debate
As informações transitam de um extremo a outro do mundo em menos de um segundo.
Com exceção de algumas nações que ainda possuem restrições de censura na sua política, grande parte do mundo consegue ser noticiado em tempo real.
A informação chega de uma forma que pode ser considerada mais simples, rápida e eficiente para os cidadãos que, entendendo a mensagem, passam a formar opinião sobre ela.
Assim, situações que merecem a atenção de determinada sociedade, quando debatidas, se tornam alvo das agendas de políticos, empresas e mercados.
Foi o que aconteceu, por exemplo, com a própria questão ambiental, cuja gravidade consegue ser vista na prática a partir da visibilidade de notícias sobre desastres naturais ou de fenômenos da natureza violentos.
O mesmo com escândalos de corrupção, que traz diversos alertas sobre a gestão do dinheiro público, especialmente quando empresas também estão envolvidas.
Uma economia econômica
Essa agilidade informacional resulta em comportamentos peculiares de uma geração que passa a assumir postos de liderança dentro e fora da economia.
Uma menor propensão a propostas com retorno a longo prazo é um exemplo desses novos comportamentos, o que significa expectativas de consumo focadas no curto e médio prazo.
A economia torna-se mais ‘econômica’, pois além de uma busca pelo custo-benefício, o olhar do consumidor fica mais responsável, pois ao pensar que o investimento terá de trazer retorno a médio prazo, ele precisa ser inteligente.
E isso influencia em diversos momentos de consumo, como na aquisição ou locação de imóveis, veículos, comidas, roupas.
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Um caminho que passa pelo compliance
Falar em boas práticas de sustentabilidade, impacto social e governança, faz com que os assuntos passem por discussões juridicamente técnicas sobre o assunto.
Até porque, essas boas práticas precisam estar de acordo com leis e normativos nacionais e internacionais, já que alguns casos tratam-se de pautas amplamente discutidas por órgãos e autoridades de todo o mundo.
É o caso do Acordo de Paris, tratado internacional firmado entre 195 países com o objetivo de reduzir o aquecimento global. As adesões aconteceram na COP 26, a Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, ocorrida no ano passado.
Se a sua empresa pensa em aderir a boas práticas de ESG e responsabilidade social, a consultoria de uma equipe jurídica interdisciplinar é fundamental para que as percepções acerca de sua marca sejam positivamente recebidas pelo mercado em que você atua.
Lembre-se, todo o caminho corporativo passa pela conformidade legal, já que a legislação encontra-se presente na maioria esmagadora das rotinas empresariais, e isso não é diferente com a responsabilidade social.

Dr. Alessandro Callil
Sócio/Diretor de Política Institucional



